domingo, 4 de setembro de 2011

Confidência

Tenho uma predilecção secreta (que deixou agora mesmo de o ser) por histórias de escritores. O mesmo acontece com as histórias de pintores, músicos, actores e todo o tipo de artistas que, de uma forma ou de outra, dão ao mundo um pouco da sua genialidade. Mas talvez pela minha relação com as palavras, a caneta e o papel, as histórias de escritores são as que, incrivelmente, fazem com que me alheie de mim mesmo e passe a viver a vida que me é contada, seja no grande ecrã ou nas pálidas páginas de um livro. E o que me surpreende mais ainda é que, ao tomar conhecimento daquela vida que, como eu, seria profundamente insípida sem palavras, tomo consciência do que, inatamente, me define como um homem das letras. Diria que o alhear-me de mim mesmo resulta num maior conhecimento de quem realmente sou, quando retorno. E é por isso, talvez, que os paradoxos tornam os dias mais interessantes.

2 comentários:

  1. Talvez porque, como disse John Donne, os outros nos incluem.
    Abraço.

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  2. Muito bom poder ler-te novamente e obrigada por seu carinho!

    Beijinhos

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