sábado, 29 de outubro de 2011

Do fim (ou do início)

Rute sabia que o seu tempo estava próximo do fim. Olhando o relógio pendurado na sala, num tiquetaque imperturbável, sentia que as horas lhe fugiam como se, também elas, buscassem o fim do seu próprio tempo.

Rute fechou os olhos. Suspirou. Sorveu todo o ar da sala, o máximo que o seu peito permitia. Ainda sentia o doce cheiro da tarte que a mãe fizera para o jantar. Sentir aquele cheiro era como se as pudesse provar naquele mesmo instante!

Expirou.

Olhou novamente o relógio, sorrindo. As horas já não pareciam fugir-lhe. Rute sabia que o seu tempo estava próximo do fim. Contudo, sabia que começaria um outro tempo, uma outra história, uma outra Rute.

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