sábado, 8 de outubro de 2011

Sobre o Rapaz do Pijama às Riscas

Quando vi o filme de Mark Herman, baseado na obra do escritor irlandês John Boyne, lembrei-me de imediato do maior testemunho dos horrores do nazismo alguma vez escrito, o incontornável Diário de Anne Frank. É impressionante como o Holocausto e todas as histórias que lhe são associadas, reais ou fictícias, me perturbam. Não que outros massacres cometidos ao longo da História (e todos os outros que ainda não têm estatuto para integrar as páginas dos manuais) não me sensibilizem, mas saber que num século em que ideais humanistas e iluministas estavam mais do que consolidados e que, ainda assim, era colossal a dimensão do desprezo pelo valor do indivíduo, deixa-me totalmente boquiaberto. E para que não se repitam episódios dantescos como os que se viveram no passado, atrevo-me a confessar que ainda fico mais impressionado com a hipocrisia diplomática dos que, passando-se por ingénuos, permitem que na nossa Era ainda se mantenham horrores como os que o povo judaico viveu durante o século XX. Sei que não sou ninguém. E talvez seja esta minha condição de ninguém que me faz jamais calar a voz.

Contudo, o Rapaz do Pijama às Riscas, embora seja uma história que se desenrola em pleno período do Holocausto, não o tem como tema central. Mais do que toda a barbárie nazi, o Rapaz do Pijama às Riscas é uma história sobre a inocência e a pureza de duas crianças de mundos avessos e que, encontrando-se, unem-se pela amizade, mesmo que separadas (literalmente) pelas ideias de como deve ser o mundo criadas pelas mentes iludidas dos adultos.

O Rapaz do Pijama às Riscas lembra-nos de que devemos manter desperta a nossa criança interior, não permitindo que se corrompa com a impureza dos que se esforçam para que sejamos como assim o entenderem. Mantendo vivo um olhar infantil (e não imaturo), percebemos que nem tudo tem de ser como nos disseram que tinha de ser. Basta que mudemos o nosso olhar, basta que o consagremos à inocência de vermos a realidade tal como ela é, sem julgamentos. Através desse olhar, o mundo fica mais simples. Através desse olhar, tornamo-nos mais genuínos. Mais puros. Mais Nós.

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