quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Do mundo perfeito dos artistas

Era um mundo impenetrável, o do artista. Nele, viviam homens e mulheres de outros tempos e seres irreconhecíveis ao olhar da razão. Não existia a atrofia de uma lei castradora do que uma mente louca pode imaginar. Não existiam fronteiras, limites, ordem. Aliás, a ordem era a desordem, em que se uniam o estrambólico e o politicamente correcto, a perfeição e o absurdo. Era um mundo onde todas as quimeras imaginadas se recolhiam, onde todas as utopias remetidas à lei da impossibilidade se tornavam, de facto, possíveis. Mesmo assim, era um mundo perfeito. E era nesse mundo, nesse mundo irreproduzível e unicamente único, onde o artista se recolhia todas as noites, antes de ir dormir.

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