domingo, 27 de novembro de 2011

Fado Nosso

Não se escreve sobre Fado. Não. O Fado canta-se, sente-se. Fado não é para ser lido. Pois ler sobre Fado é redutor, ler sobre Fado é como permanecer na distância e soprar o desejo de um beijo ou de um abraço. O Fado existe para ser cantado. O Fado existe para ser ouvido. Ainda assim, tentarei escrever sobre a canção-maior da Língua Portuguesa.

Hoje, foi com um sentimento de profundo orgulho e alguma comoção que recebi a notícia da eleição do Fado como Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO. Elevar o Fado ao estatuto de Património da Humanidade é elevar também Portugal e, mais do que isso, toda a Língua Portuguesa. E em tempos em que são esquecidos ou ignorados os bons exemplos deste meu país, é grandiosa a oportunidade de poder viver a emoção de assistir ao reconhecimento de um bom-exemplo português, o Fado.

Por mais que o acusem de saudosista, triste, popular, o Fado é nosso. Por ser legitimamente nosso, damo-lo, agora, ao Mundo. E nessa entrega tão sincera nasce uma nova esperança, não só para o Fado, mas para toda a cultura de expressão portuguesa. Nasce a esperança de que se descubra O Encoberto de Pessoa e que, por fim, se desvaneça esse Nevoeiro que nos tem cerrado horizontes por tanto tempo. Como diria o poeta, É a Hora!

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