domingo, 6 de novembro de 2011

A moeda insignificante

Recordo um olhar triste sentado na calçada. Era um velho de barbas e cabelos crespos, sujos. Pedia-me esmola com as poucas forças que lhe restavam, uma moeda insignificante. Recusei e segui em frente, caminhando com o orgulho das gentes que caminham erectas de superioridade. Com o passo firme e pausado, fui-me afastando vagarosamente, sentindo aqueles olhos tristes pousados sobre as minhas costas. E à medida que seguia rumo ao compromisso mais importante que qualquer um desses pedintes sentados nas calçadas (pensava eu), senti o peso da insignificante moeda no bolso, como se pesasse por todas as moedas do mundo. Com aquela moeda, compraria um café ou um bolo, mais um café ou um bolo, numa vida em que é sempre preciso mais um pouco e mais um pouco e mais um pouco. Como se tudo o que eu tenho não me bastasse...

Naquele dia, lembrei-me de todas as moedas insignificantes que não partilhei. Pois são as moedas mais insignificantes que guardamos como se fossem os últimos tesouros do mundo.

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