domingo, 20 de novembro de 2011

Numa manhã de Novembro

Acordou cedo, a jovem mulher. Enrolada numa manta púrpura, esgueirou-se até ao jardim da casa para sentir o perfume intenso a terra molhada. Sorveu todo o ar que conseguiu, enchendo os pulmões com aquela fragrância terrena e enérgica. Naquela fresca manhã de Novembro, perguntava-se se, em algum outro lugar do mundo, haveria perfume tão precioso, tão cheio de vida. Mesmo que houvesse, não seria igual ao que poderia inspirar no seu jardim. Pois naquela manhã de Outono, de árvores seminuas e flores caídas sobre a relva, a jovem mulher sabia que, sem o odor a terra molhada que errava pelo jardim, a sua manhã ganharia um vazio do perfume que o mundo criara só para lhe dar.

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