quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A velha que caminhava descalça

Lembro-me de uma velha mulher que caminhava descalça no campo. Caminhava como se o chão em brasa não a queimasse. De olhos postos na vastidão do céu, mantinha as mãos unidas ao nível do peito. Parecia alheada do mundo, como se orasse. O sorriso no seu rosto era sintoma de uma gratidão arrebatadora. Não orava em prece, mas dando graças. E os pés velhos da velha mulher iam pisando a terra ressequida, como se a beijassem.

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