domingo, 15 de janeiro de 2012

A lógica do dar e receber

Os homens habituaram-se ao dar. Os homens habituaram-se à necessidade de agradar ao outro, de retribuir ao outro, de levar o outro a sentir-se em dívida para com o favor que lhe foi feito. Há uma ideia enraizada de que a dádiva do outro deve ser imediatamente reposta, de que o outro dar-me sem que eu lhe dê também me irá minimizar de algum modo. É uma ideia descabida. Pois a postura dos homens de espírito elevado deverá reger-se pela liberdade em usufruir das dádivas que se recebem, sem as distracções do tenho de lhe dar também, tenho de lhe pagar o favor que me fez. Não que se descure o dar e que se passe, apenas, a praticar o receber. Não! Mas nem tudo o que nos é dado tem como intuito uma troca, um eu dou-te se tu me deres também. Não raras vezes, o eu dou-te é reposto numa outra situação, com uma pessoa distinta da que deu. Nessa sinergia perfeita de dar e receber, quem dá não recebe de quem usufrui da sua dádiva. No entanto, acabará por receber também de um outro que quererá dar-lhe sem a lógica do dou-te e tu dás-me. E tudo fica perfeito, e tudo fica completo; saldado, como diriam alguns. Pois todos somos Um, agregamo-nos como Humanidade.
Por isso, que se dêem os homens. Que se dêem com um desapego moderado, com a confiança de que tudo o que é dado é reposto em equilíbrio por quem recebeu ou por um outro alguém.
Tudo é perfeito e completo, basta que se esteja atento.

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