Saio hoje à rua gritando chamo-me Portugal!
Que se calem os que me calam a voz, pois hoje grito orgulhosamente o meu nome! Chamo-me Portugal!
Sou o barco intemporal da Europa e o rosto que desde a formação do mundo beija o oceano amorosamente e sem cansaço. Sou o porto feérico do sonho e da esperança, a ponte entre o velho e o novo mundo. Deixo que a audácia me defina e que a liberdade me permita abraçar o fado sublime que me pertence. Heroicamente, construo um magnífico império de homens emancipados, pois sou a promessa quimérica cumprida e a utopia do desejo alcançada. Por isso, hoje, calem-se todos os que me calam a voz, pois sou eu que falo, Portugal!
Calem-se! Calem-se esses senhores indignos de falar em meu nome e em nome do povo que é meu e só meu! Calem-se esses dantas iguais a todos os dantas que já passaram e que hão-de vir! Calem-se os sebastiões indesejados e os salazares desta nova senhora a que chamam de Democracia! Calem-se! Calem-se! Calem-se! Chegou o tempo de eu, Portugal emancipado, bradar enfurecidamente por todos os cantos desse meu rectângulo alienado, dessa Europa arruinada por fantoches, desse mundo que se esqueceu de mim. Chegou o tempo de eu gritar o meu nome bendito com o orgulho que me enche o peito! Portugal!
Que se calem os que não são o Portugal de D. Afonso Henriques e de Pessoa, de D. Dinis e de Souza-Cardoso, do Visionário Infante e de Camões, de D. João II e de Amália, de D. Manuel I e de Gil Vicente, de Sophia e de Garrett, de Eça e de Vasco da Gama, de Saramago e de António Vieira, de Bartolomeu Dias e de Cesário Verde, de Almada Negreiros e de Vasco Santana, de Vieira da Silva e de Bocage, de Álvares Cabral e de Cesariny, de Beatriz Costa e de Miguel Torga, de Eduardo Viana e de Salgueiro Maia! Calem-se! Que se calem todos os que me ofuscam levianamente o brilho e o mérito, fazendo crer ao meu povo que é a mediocridade que me anima. Não sou tacanho, não sou incapaz, não sou imbecil. Sou o país da vontade férrea e da glória que o meu povo almeja, a esperada vitória por cumprir. Por isso, calem-se todos os que ao meu povo mentem, roubam e pregam uma realidade distorcida!
Calem-se!
Calem-se!
Calem-se!
Sou o Portugal Emancipado, o Portugal que é do mundo e das gentes, o Portugal humano e imaterial, o raio de luz que rasga a névoa do oceano com a volúpia dos que querem ser sempre mais e melhor. Sou o Portugal Emancipado que não é das gentezinhazinhas usurpadoras e corruptas. Sou o teu Portugal, tu que me escutas a voz. Sou o Portugal da consciência desperta dos homens e das mulheres que acreditam em mim, que mudam o seu mundo para que eu renasça e me cumpra. E eu irei renascer! Eu cumprir-me-ei! Pois pertenço aos seres livres que me querem grandioso e autêntico, que me querem sempre igual ao que eu verdadeiramente sou e ao que, hoje, grito orgulhosamente, para que se calem, de uma vez só, todos os que me têm calado a voz!
Calem-se! Pois hoje falo eu!
Chamo-me Portugal!
Alcanhões, 5 de Janeiro de 2012
Samuel Pimenta
Subscrevo!
ResponderEliminarMuito bom:)
Gostei imenso. É um texto que deveria servir de reflexão para muitos. Subscrevo, sim, com o maior prazer.
ResponderEliminarBravo, Samuel...
ResponderEliminarGostei imenso do texto!
Bastante pertinente, será porventura a hora de expulsar os vendilhões do templo!
Um abraço
Muito bom.
ResponderEliminarMuito bem!
ResponderEliminarExcelente! Obrigada por dar voz ao sentimento que grita nas gargantas enrouquecidas de todos os portugueses orgulhosos de o serem! Que se calem os que nos têm calado a voz!
ResponderEliminarAssino por baixo, sim.
ResponderEliminarCostumo dizer e continuarei a dizer "se a estupidez pagasse imposto, seríamos a nação mais rica!". Quem sabe um dia daremos valor aos verdadeiros valores do universo e, como diz um provérbio índio: "não herdámos a terra dos nossos pais, apenas a pedimos emprestada aos nossos filhos"
Obrigada Samuel
Muito bom. Ler textos destes faz-nos manter vivos e lutadores, e saber que há mais e mais gente que sabe o sentir Portugal
ResponderEliminarorgulhosamente massa dessa Voz que ainda existe.
ResponderEliminarSamuel Pimenta, vou partilhar.