quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Manifesto de Portugal Emancipado

Saio hoje à rua gritando chamo-me Portugal!

Que se calem os que me calam a voz, pois hoje grito orgulhosamente o meu nome! Chamo-me Portugal!

Sou o barco intemporal da Europa e o rosto que desde a formação do mundo beija o oceano amorosamente e sem cansaço. Sou o porto feérico do sonho e da esperança, a ponte entre o velho e o novo mundo. Deixo que a audácia me defina e que a liberdade me permita abraçar o fado sublime que me pertence. Heroicamente, construo um magnífico império de homens emancipados, pois sou a promessa quimérica cumprida e a utopia do desejo alcançada. Por isso, hoje, calem-se todos os que me calam a voz, pois sou eu que falo, Portugal!

Calem-se! Calem-se esses senhores indignos de falar em meu nome e em nome do povo que é meu e só meu! Calem-se esses dantas iguais a todos os dantas que já passaram e que hão-de vir! Calem-se os sebastiões indesejados e os salazares desta nova senhora a que chamam de Democracia! Calem-se! Calem-se! Calem-se! Chegou o tempo de eu, Portugal emancipado, bradar enfurecidamente por todos os cantos desse meu rectângulo alienado, dessa Europa arruinada por fantoches, desse mundo que se esqueceu de mim. Chegou o tempo de eu gritar o meu nome bendito com o orgulho que me enche o peito! Portugal!

Que se calem os que não são o Portugal de D. Afonso Henriques e de Pessoa, de D. Dinis e de Souza-Cardoso, do Visionário Infante e de Camões, de D. João II e de Amália, de D. Manuel I e de Gil Vicente, de Sophia e de Garrett, de Eça e de Vasco da Gama, de Saramago e de António Vieira, de Bartolomeu Dias e de Cesário Verde, de Almada Negreiros e de Vasco Santana, de Vieira da Silva e de Bocage, de Álvares Cabral e de Cesariny, de Beatriz Costa e de Miguel Torga, de Eduardo Viana e de Salgueiro Maia! Calem-se! Que se calem todos os que me ofuscam levianamente o brilho e o mérito, fazendo crer ao meu povo que é a mediocridade que me anima. Não sou tacanho, não sou incapaz, não sou imbecil. Sou o país da vontade férrea e da glória que o meu povo almeja, a esperada vitória por cumprir. Por isso, calem-se todos os que ao meu povo mentem, roubam e pregam uma realidade distorcida!

Calem-se!

Calem-se!

Calem-se!

Sou o Portugal Emancipado, o Portugal que é do mundo e das gentes, o Portugal humano e imaterial, o raio de luz que rasga a névoa do oceano com a volúpia dos que querem ser sempre mais e melhor. Sou o Portugal Emancipado que não é das gentezinhazinhas usurpadoras e corruptas. Sou o teu Portugal, tu que me escutas a voz. Sou o Portugal da consciência desperta dos homens e das mulheres que acreditam em mim, que mudam o seu mundo para que eu renasça e me cumpra. E eu irei renascer! Eu cumprir-me-ei! Pois pertenço aos seres livres que me querem grandioso e autêntico, que me querem sempre igual ao que eu verdadeiramente sou e ao que, hoje, grito orgulhosamente, para que se calem, de uma vez só, todos os que me têm calado a voz!

Calem-se! Pois hoje falo eu!

Chamo-me Portugal!


Alcanhões, 5 de Janeiro de 2012


Samuel Pimenta

9 comentários:

  1. Gostei imenso. É um texto que deveria servir de reflexão para muitos. Subscrevo, sim, com o maior prazer.

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  2. Bravo, Samuel...
    Gostei imenso do texto!
    Bastante pertinente, será porventura a hora de expulsar os vendilhões do templo!
    Um abraço

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  3. Excelente! Obrigada por dar voz ao sentimento que grita nas gargantas enrouquecidas de todos os portugueses orgulhosos de o serem! Que se calem os que nos têm calado a voz!

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  4. Assino por baixo, sim.
    Costumo dizer e continuarei a dizer "se a estupidez pagasse imposto, seríamos a nação mais rica!". Quem sabe um dia daremos valor aos verdadeiros valores do universo e, como diz um provérbio índio: "não herdámos a terra dos nossos pais, apenas a pedimos emprestada aos nossos filhos"
    Obrigada Samuel

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  5. Muito bom. Ler textos destes faz-nos manter vivos e lutadores, e saber que há mais e mais gente que sabe o sentir Portugal

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  6. orgulhosamente massa dessa Voz que ainda existe.
    Samuel Pimenta, vou partilhar.

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