terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O turco

O velho turco fitava-me com uns olhos castanhos brilhantes. Olhava-me com a doçura dos velhos que, tendo tanto para dizer, preferem calar-se e manter-se fitando o que diante dos seus sábios olhos vai passando. Tentava dizer-lhe a Turquia é um país encantador, falando-lhe numa língua que lhe era desconhecida. Ele falava-me em turco. É pouco dizer que percebia pouco do que dizia. Era muito parco, o meu turco. Ainda assim, espelhados nos seus olhos castanhos e doces, via um brilho de incontestável amor pelo seu país. E subitamente, como se nos juntasse uma força sacralizadora das relações humanas, o velho turco lançou-se sobre mim, abraçando-me com a ternura e gratidão dos que, com um sorriso nos lábios, nos abrem as portas das suas casas e nos acolhem fraternalmente. Mais tarde, vim a saber que o velho turco me dizia que é com um grande orgulho que vos recebo no meu país.

Existem linguagens que nos unem que as próprias línguas que nos dividem jamais conseguirão superar e entender. O abraço é uma delas.

1 comentário:

  1. Não podia estar mais de acordo :) Nem sempre as palavras faladas ajudam nas relações. Trazem muitos conflitos, que gestos como um abraço nunca poderão provocar.
    E esse é um dos gestos que mais me preenchem.

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