quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Poema-imagem

Escrever poesia é criar imagens. O poeta, qual pintor, usa as palavras como tinta, a caneta como pincel. Cria uma pintura imaterial, uma fotografia nascida da interacção dos signos linguísticos. Nasce a imagem incorpórea, uma projecção mental feita pelo indivíduo que apreende o poema. Por isso ser redundante ilustrar poesia com fotografias ou pinturas. Acaso Souza-Cardoso, Monet ou Da Vinci ilustravam os seus quadros com outros quadros? Não, seria redundante. Com a poesia não é diferente. Ilustrar um poema cria ruído, desatenção. E redundância, como já referi. Apenas resultará ilustrar um poema com uma pintura ou fotografia quando ambos comunicarem como uma obra apenas, numa simbiose perfeita em que ambas as partes foram pensadas e concebidas para se completarem numa unidade. Contudo, são excepções, exercícios da Arte que não quero discutir agora. O que me trouxe a estas linhas foram os poemas e as imagens. E são precisamente os poemas com as melhores imagens que definem a glória dos maiores poetas.

1 comentário:

  1. Colocar, mesmo que aliatoriamente Amadeo de Souza-Cardoso ao lado de Monet e Da Vinci parece-me muito bem.
    Concordo, que os poemas são imagens.

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