terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

(Re)Instauração da Monarquia

Recentemente li uma entrevista a um senhor que, não podendo ser rei, é duque. Aliás, uma vez que vivemos numa República, não é duque nem rei, mas mero homem. E dizia o homem-duque que os tempos que estamos a viver são sintoma da segunda falência da República e que existem outras vias para Portugal. A Monarquia, por exemplo.

De facto, vivemos tempos de mudança, tempos de questionamento dos valores que, até então, foram detentores de um estatuto quase sacro. Vivemos tempos que requerem exigência e empenho, tempos que nos atiram para as fronteiras da nossa zona de conforto. Mas que nenhuma dessas mentes iluminadas, como a do rei que, não sendo rei, é duque sem o ser de facto (já que perante a República é mero homem), tente fazer-nos crer que a instauração da Monarquia é a solução para todas as questões que temos para resolver. Jamais aceitarei como solução para o meu país um regime fundado na lógica do berço e do nome. Teoricamente, a República cumpre os ideais iluministas da igualdade, liberdade e fraternidade, extinguindo um regime hierárquico de grupos privilegiados e fazendo de todos os homens e mulheres indivíduos iguais entre si. Embora, na prática, se saiba que a República Portuguesa não vai ao encontro da versão romanceada e ideal do regime republicano, é preferível tê-la imperfeita e com a esperança (em teoria) de que qualquer cidadão pode ascender por mérito, do que viver a desilusão de se nascer sem nome ou fortuna para o comprar.

Perdoem-me, mas querem Monarquia? Ora tomem, ao bom estilo do Zé Povinho!

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