domingo, 10 de junho de 2012

Carta a Portugal


Meu doce meu brando meu iluminado Portugal, escrevo-te hoje em Lisboa, 10 de Junho de 2012, para te saudar, para te dizer que és grande e que o não sabes, para te dizer como te amo e amo e amo até à infinitude da tua expressão humana e divina. Escrevo-te hoje para expressar a magnificência do teu canto e do teu ser. Pois não és o que dizem que és. Não és a crise, não és o medíocre, não és a dor. És muito mais do que podem ver os homens que te acusam e te não vêem. És muito mais do que podem sentir as gentes que te forçam a rastejar. És muito mais do que, tu mesmo, crês que és.
Não tenho televisão em casa, sabes? Também não preciso de a ter. Sem ela, sei que, hoje, te celebram como o fazem todos os anos. Será mais um dia em que senhores dizem a outros senhores que tu estás a resistir, que para o ano estarás recuperado, que urge cuidar dos desprotegidos, que tens de fazer sacrifícios, que e que e que, que todo este blablablá do tem de ser e do deve ser te salvará pela intemporalidade. Mas todos os anos dizem o mesmo. Mudam e não mudam as palavras, mudam e não mudam os senhores que o dizem, mudam e não mudam os senhores que o ouvem. Contudo, não muda o blablablá. Mantém-se. Por isso, desisti de ter televisão em casa. Acredites ou não, sei mais agora do que quando a tinha. Mas não é hoje dia de fazer o que fazem os senhores. Não. Eu hoje quero ser como as crianças e por isso quero dizer-te que és a esperança feita rectângulo e continente e país e povo e infinito. És a grandeza imaterial que eleva a humanidade pelo teu espírito audaz e simples. És o farol da Terra, o porto que ancora a luz que se faz palavra e que pela mão dos poetas transforma o Universo. És a vanguarda dos que sentem mais do que há para sentir.
O rosto do sonho.
A pura expressão do amanhã.
A esperança que dissipa o nevoeiro.
O poema que reina o império dos que acreditam.
És luz.
Amor.
Escrevo-te para que te recordes, para que resgates o que a ti te pertence. És senhor de ti mesmo, pátria branda que abraça o mundo como a um igual. Cabe em ti, Portugal, toda a humanidade. Pois não és tu senhor dos outros senhores. Não. És senhor de ti. Só de ti. Cego e de braços abertos para os homens. Barca guardiã da sabedoria ancestral que, do éter, germina na terra. És o oceano da dignidade que engrandece os povos.
Que os eleva ao que de divino carregam.
Que os guarda nesse amor pueril de quimera.
Sê essa inteireza que vejo em ti. Sê essa caravela que cruza não os mares em evangelização, mas a liberdade do ser e da essência do mundo. Sê o que és e o que te destinou o fado, esse clamor consciente de quem grita uma verdade maior. Sê, Portugal, o que escrevem e cantam os que não morrem. Pois sendo o que és, jamais farão de ti o que nunca foste.
E com isto me despeço nesta carta que te escrevo, meu doce e brando e iluminado Portugal. Com amor, deste Samuel Pimenta que te quer bem.

3 comentários:

  1. uaaaaaauuuuuuuuuuuuuuu!!! isto tem que ser conhecido!!! vou mexer meus cordelinhos ok? abraço enorme . Grata!
    Letinha

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  2. Hoje, apetece-me dar um presente à tão frágil economia de Portugal – ENDOECONOMIA – é só pesquisar esta palavra no google e, terás uma surpresa! – Entretanto, aproveito a ocasião deste 10 de Junho para enviar um MENSAGEM de auto-estima aos portugueses para que se lembrem de uma história de glórias espirituais, com destaque aos Reis D. Afonso II, D. Dinis, D. João II, Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa, Aristides de Sousa Mendes, entre outros, e que devem servir de referência como histórico de vida, em prol da humanidade. – Já agora, clic neste link - http://www.youtube.com/watch?v=n2pbHmMuY1k&feature=plcp

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  3. Belíssimo! Palavras que tocam fundo aos que verdadeiramente amam Portugal!

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