quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Rectângulo

O Rectângulo que é
rosto continental
apodreceu.
Sinto-lhe o cheiro
agonizante, a
carne negra
feita banquete
larvar.

O Rectângulo que é
caravela da promessa
apodreceu.
Salazar morreu? Dizem que
sim. Eu não acredito.
Traveste-se agora do Sebastião
prometido que o
povo já não
deseja.
O templo da
democracia é hoje
casa indigna, farol da
descrença. Quão profunda
é a ofensa
que fere as gentes
do bom
caminho.

O Rectângulo que é
nosso e do mundo
apodreceu.
Com ele, apodrecem
os que, incorruptíveis,
sempre trazem no
peito a voz da
verdade, o
grito maior feito
esperança.
É triste. Mas não é
o podre, o sujo, tão
triste como as
manhãs que nunca
nascem?
Lisboa, 21 de Junho de 2012 – 15h17m

1 comentário:

  1. Olá Samuel.
    Venho através do teu blog agradecer o texto que li "o lugar a que chamo de berço" , um encanto de sentir cada palavra , o amor que transmitem e transportam são tão puros e enternecedores que em mim deram o sentir da unicidade.
    Com todo o amor nesta viagem me transportas-tes para o lar, tu és o meu lar, amo-te universo.
    Sónia de Almada

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