sexta-feira, 6 de julho de 2012

Da luz e das sombras


Imagina uma luz no centro da sala. Imagina todas as sombras que, dessa luz, se projectam nas paredes brancas. Essa luz és tu. E as sombras desenhadas nas paredes são estados teus. Tuas sombras, portanto. Concluis, então, que és feito de luz e de sombras, como te definiu a condição humana. És dual.

O desafio de viver está, não em ser luz a todas as horas, não em manter na face um sorriso inalterável. Não. O desafio de viver está no mergulho cego em que te lanças sobre as sombras que te definem, aceitando-as como tuas. Deixa-as ser escuras, tristes, frias. Deixa que se expressem. Que gritem, que chorem, que enlouqueçam. E quando não passarem de ténues sombras em tons de aguarela sobre a parede branca, olha a luz que és e encontra a tua essência.

Os seres duais vivem assim, sabendo que a luz existe porque existem sombras. Mas também não esquecem que, por detrás dos nevoeiros sombrios que entristecem o semblante, há uma luz que os espera para lhes lembrar que são sublimes. E que escolhes tu ver? A luz que és, ou as sombras em que te projectas?

Lisboa, 25 de Junho de 2012 - 22h45m



Texto de introdução à exposição Light and Shadows do fotógrafo Paulo César
Bar do Teatro Rápido
Julho de 2012

2 comentários:

  1. Texto magnifíco :) Sem dúvida. Não podemos projectar sempre brilho, muitad vezes é preciso passar também pelas sombras.

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  2. Simplesmente Fantástico!!!
    Muitos parabéns.

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