terça-feira, 31 de julho de 2012

Hijab

O uso do hijab pelas mulheres islâmicas tem sido frequentemente discutido nos últimos anos. Surpreende-me que a discussão seja mais acesa no dito evoluído mundo ocidental. Não que me surpreenda que o dito evoluído mundo ocidental faça jus à fama de humanista que tem (pelo menos em teoria). Não. Surpreende-me, sim, que o dito evoluído e tolerante mundo ocidental queira forçar mulheres a despirem-se do hijab que  usam por convicção. E é certo que em muitos países islâmicos as mulheres não têm, sequer, liberdade para pôr em causa o uso do hijab. Tudo bem. Mas também não as vemos por essa Europa a gritar a plenos pulmões que se sentem oprimidas enquanto mulheres por usarem hijab. Umas sim, é certo. Outras não. Impera a escolha. Naquele que é o dito tolerante mundo ocidental, impera a escolha.

Ser humanista é bonito. Fica bem. Mas entrar no livre arbítrio de outrém, quando esse livre arbítrio não o prejudica em ponto algum, é tudo menos humanismo. Se somos o dito mundo ocidental evoluído onde impera a tolerância, façamos jus, pelos menos uma vez, a essa fama que temos. Aceitemos o outro por aquilo que ele é, como ele é. Não me parece da legitimidade do dito evoluído mundo ocidental adoptar, com paternalismo, uma causa que não lhe pertence. Acaso forçam judeus ultraortodoxos a vestirem-se segundo os padrões ocidentais? Ou os hindus? E o que é isso de padrões ocidentais?

Quanto a mim, cabe às mulheres que usam hijab escolher usá-lo ou não. No dia em que decidirem despi-lo, serei o primeiro a aplaudi-las de pé. Mas tudo o que vier impedir essa escolha é segregação camuflada de humanismo. Se não gostam de ver uma mulher de hijab, virem a cara ou tapem os olhos. Pois se ela é feliz com ele, que temos nós com isso?

Não gosto de perseguições de nenhum tipo. E não, não embarco numa nova Cruzada.


1 comentário:

  1. Ora aí está o que tem de ser dito e redito aos senhores da NATO que se julgam senhores do mundo e . . . da razão ! ! !

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