terça-feira, 11 de setembro de 2012

Onze anos

Onze anos após o onze de Setembro de dois mil e um. Passaram onze anos. Passaram onze anos de ódio. Onze anos de dor. Onze anos de medo. Onze anos.

Parece-me que interessa a uns poucos que uns tantos se odeiem e se temam. Através da alienação do indivíduo, crescem as amarras que o aprisionam a um sistema fundado na desunião. Teme o outro, protege-te do outro, não confies no outro, persegue o outro, aniquila o outro. Pensa em ti, olha para ti, ouve-te somente a ti, coroa-te a ti mesmo rei e senhor, unge-te a ti como deus. Deixamo-nos comprar e vender por palavreado oco e tornamo-nos prisioneiros da caverna platónica. Prisioneiros do medo.

Penso que o mundo foi criado para que sejamos livres, para que nos libertemos de todas as cavernas onde nos fecham. E a verdadeira liberdade é a que nos leva ao encontro do outro, da humanidade que reside em cada indivíduo que, sendo diferente, é igual, pois nasceu humano. Não há razão para temer o outro. Não há razão para temer o beijo, o abraço, a carícia. A única razão que nos leva a temer o outro não passa do medo que nos incutiram face ao que nos é estranho. Teme tudo o que não é padronizado, dizem-nos eles. Teme-te a ti mesmo, se fores diferente.

É tempo de ver a humanidade libertar-se do medo. No dia em que o medo perder toda a força que lhe foi concedida, perderá o poder que nos enclausura toda a força que lhe demos. E aí poderemos partir pelo mundo em busca de abraços e sorrisos. Pois na Ásia, na América, na Oceânia, na Europa ou em África, todos sabem abraçar e sorrir e todos gostam de abraçar e sorrir. E no dia em que, por fim, perecer o medo, nascerá uma nova humanidade que, unida, saberá que é através das diferenças que o mundo se mantém rico, elevado e desperto.

Hoje, onze anos depois, abraço americanos, afegãos, iraquianos e todos os que têm sido vítimas dos efeitos  em seguir-se a louca lógica do medo. É tempo de fazer reflexões. E é importante reflectir se realmente queremos continuar a seguir por aqui.

1 comentário:

  1. É isso mesmo. Todos sabemos abraçar, seria fácil se todos pensassem assim!

    ResponderEliminar