domingo, 9 de setembro de 2012

Requiem


Choro a morte da
terra que o mar
fundou, a pátria
lusitana que
às mãos da traição
pereceu.
Portugal morreu
e eu choro-lhe
o corpo e o sangue
sujos de nojo e
mentira.

Ah! a dor maldita de te
perder assim!
Da carne pútrida tua
alimentam-se os
vermes, senhores
infectos que nem na
morte te sabem
honrar. Estão
famintos de ti, da altivez
sagrada que lhes não é
destinada. São e
serão sempre parasitas que
aspiram à divindade dos
eleitos.

Ah!, pátria feita do sangue dos que te
pisam o chão! Choro-te
a agonia inglória e
brado em prece aos
deuses que te
fundaram a
grandeza.
Sê um novo cristo
ressuscitado e
livra-nos do mal
que te degolou, ó pátria!
É hora de à traição
dedicar repúdio
e exílio. Purgue-se teu
corpo puro dos
vermes que te
conspurcam a
face.
És mais do que um
horrendo banquete em
decomposição.

Choro-te a morte,
Portugal. E grito o
desespero de te não ver
vertical e
digno.

Ah!, pátria feita do sangue dos que te
pisam o chão, como dói saber que
te perdes assim.

Alcanhões, 9 de Setembro de 2012 – 01h46m

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