- Diz-me, mestre, porque me pedes para esquecer tudo o que aprendi?
O mestre olhou o aluno serenamente, sorrindo-lhe como um pai sorri para um filho.
- Não compreendo esse silêncio, esse sorriso… – confessou o aluno.
O mestre respondeu:
- O meu silêncio, o meu sorriso, são como se te dissesse que é apenas esquecendo tudo o que aprendemos que poderemos, por fim, atingir aquilo a que os homens chamam de Verdade, de Plenitude, de Perfeição.
O aluno, confuso, olhou o mestre como um filho olha para um pai quando não compreende o que aquele diz.
O mestre prosseguiu:
- É desaprendendo que se aprende, meu caro. Quando desaprenderes tudo o que a ti te foi ensinado, despertarás para a tua consciência profundamente sábia e verdadeira. Essa consciência responde por si só, por aquilo que verdadeiramente ela é, e não por todos os implantes conceptuais que, a certo ponto, te estruturaram para seres o que fizeram de ti. Só quando derrubares as estruturas que, como colossais muralhas, te aprisionam a uma realidade que, por não ser a tua, é distorcida e lacunar, poderás ser tudo aquilo que, em essência, simplesmente és.