Morre-se. Ficam os títulos, os bens, as peneiras. Ficam os ódios, as invejas, as mágoas. Morre-se. Ficam os ossos. Fica a carne. Fica a pele. Apodrecendo. Morre-se. Fica tudo. Fica o nada. O que é nosso por inteiro jamais nos será tirado. Morre-se. Fica connosco a essência viva que nos abraça. Fica o tesouro invisível que somos, a imaterialidade que nos define profundamente. Morre-se. E descartando os nadas que nos atrofiam reencontramo-nos com o tudo que, na simplicidade, nos dá vida nova, libertando-nos. Morre-se.