Envolvo-te
com os meus braços longos num abraço quente que te quer amar. Toco-te o peito levemente,
sinto dentro de ti o coração que vive, que bate bate bate batebatebatebate. Está
vivo, por isso bate. O teu coração. O meu coração. Nosso.
Danço
contigo. Dançamos. Juntos, nós, eu e tu, nós. Entrelaçados onde não há tempo e
espaço e céu e terra e vida e morte. Dançamos uma dança angélica, uma dança
divinamente nossa, minha. Chamo-lhe a dança dos loucos, dos que riem quando todos
choram, dos que falam quando calam os homens a voz. Dançamos. Danço contigo. E
nessa dança envolvo-te com os meus braços, beijo-te a cara, as costas, e
toco-te a pele nua, inteira, limpa. És a pura essência das manhãs que nascem e
morrem sublimes. E dançamos juntos, ligados, unidos sem que o terreno e o
mundano nos separem. Jamais separará o Homem o que Deus uniu. O deus meu que é
o deus teu que é o deus nosso que com o deus dos outros e o deus do Mundo, do
Universo, é por isso Deus. Deus. Somos Deus, deuses. Humanos deuses. Humanos
deuses que dançam. E por te envolver na dança dos loucos sei que me torno mais
deus, mais eu, mais nós. O Nós que é Eu. Que é tudo. Que é nada. Sou tudo e
nada quando me entrelaço contigo na dança dos loucos. E percebo, dançando, que
sou tu e que és eu. Que somos o mundo, o universo. E grito em poema
Trago
em
mim
a
certeza
de
que eu sou o
mundo
sem
que ele
seja
meu
como
sou eu
dele.
Eu
sou o mundo quando danço contigo, quando te abraço e te aperto entre as mãos
para que elas sumam em ti. Eu quero respirar-te, fundir-me em ti. E é no nascer
desse desejo quando entendo que danço só, que danço na plenitude de descobrir
que tu és eu e que o meu abraço sobre ti é o meu abraço sobre mim. O meu beijo
na tua pele é o meu beijo na minha pele.
Não
sei onde começa e termina a dança dos loucos quando percebo, por fim, que
dançar contigo é dançar comigo, como se dançasse em frente a um espelho.
Alcanhões, 2 de Junho de 2012 – 15h50m