O
Rectângulo que é
rosto
continental
apodreceu.
Sinto-lhe
o cheiro
agonizante,
a
carne negra
feita banquete
larvar.
O
Rectângulo que é
caravela
da promessa
apodreceu.
Salazar
morreu? Dizem que
sim.
Eu não acredito.
Traveste-se
agora do Sebastião
prometido
que o
povo
já não
deseja.
O
templo da
democracia
é hoje
casa
indigna, farol da
descrença.
Quão profunda
é
a ofensa
que
fere as gentes
do
bom
caminho.
O
Rectângulo que é
nosso
e do mundo
apodreceu.
Com
ele, apodrecem
os
que, incorruptíveis,
sempre
trazem no
peito
a voz da
verdade,
o
grito
maior feito
esperança.
É
triste. Mas não é
o
podre, o sujo, tão
triste
como as
manhãs
que nunca
nascem?
Lisboa, 21 de Junho de 2012 – 15h17m