Caíram
as
casas
sem
chão.
Caíram
as
gentes
que
viviam
nas
casas
sem
chão.
Caiu
meu
pai,
minha
mãe.
Caíste tu,
amigo
amor amiga
amor,
caíste
tu.
Caíram
todos.
Caíram
todos
os homens
e
mulheres que
ainda
resistiam
de
pé. Caiu o
chão
que os
sustinha.
Caíram
as
casas erguidas sobre o
chão
que os
sustinha.
Caíram
todos.
Caíram
todos.
Caíram
todos.
Caiu
o vertical
e
digno
humano.
Resisto
de
pé,
olhar em
frente.
Caiu o
chão
que me
sustinha.
Resisto
de
pé,
a dor por não
cair.
Enquanto
houver
um homem
que
resista não cairá o
chão
que sustém o
mundo.
Lisboa, 23 de Julho de 2012 – 13h02m