No
centro do mundo, ergue-se esse farol luso sobre um mar que o sustém e comanda,
esse mar revolto e mitológico, onde vivem sereias, adamastores e monstros
tormentosos. Do mesmo mar nascem quimeras de esperança e utopias que se
cumprem. Ninfas, musas. Magia. Há um farol de milagres, profecias, que pelas
vagas brancas ilumina os corações de todas as almas que aceitam escutar o sussurro
ancestral do mestre que olha o oceano para lá do possível. Esse mestre é Portugal.
A
areia de ouro e prata é augusto tapete para os que pisam a terra dos senhores
do Atlântico. As vagas azuis, coroadas de espuma branca de seda, são o suspiro
perene de reis e heróis imortais. As escarpas que a água esculpiu são a
obra-prima de uma terra que esculpiu o mundo. A terra lusa é feita da esperança
e do sonho e da promessa que emergem do brilho marítimo que alcança o longe e o
eterno. Olhar o sol que se ergue no intenso azul do céu e vê-lo bruxuleante no
intenso azul do mar é ter a certeza de que é possível ser-se rei em dois
mundos. E o mar, sim, o mar, faz de Portugal um rei múltiplo e etéreo. Talvez
por isso Portugal tenha tanto de mar como tem o mar de português.
Lisboa, 14 de Agosto de 2012 - 12h57m