(No dia em que a
banda soviética Pussy Riot foi
condenada por
cantar um tema anti-Putin)
O
mundo fendeu-se e
sangra
podridão
de
medo e
desesperança.
Sentam-se
nos
tronos…
Corrijo!
Sentam-se
nas
cadeiras
párias e
tiranos
travestidos de
democratas
e
justos.
Dói-me
a dor
que
me faz doer a
dor
de ver
a
bestialização de uma
humanidade
que de
besta
nada
tem.
Portugal
consumido
por
larvas de
corrupção.
Europa
putrefacta,
nauseabunda
de
mentiras.
China
imperialista e
ditatorial.
América
hipócrita,
ou
não fosse a Casa Branca
mais
suja
que
os currais de
Aúgias.
Paradoxo...
Israel
e a irmandade
americana.
África
dilacerada,
em
carne viva.
Rússia
inquisitorial.
Não
são homens
que
nos governam.
Não
são homens
que
nos governam.
Não
são homens
que
nos governam.
Se
nos governassem
homens,
seria
o
mundo mais
humano.
Governam
o mundo
os
senhores que nos
encarceram
a voz e o
pensamento
sem que o
percebamos.
Cheiram
a mofo.
Cheiram
a ranço.
Cheiram
a podre.
Cheiram
a censura.
Cheiram
a mentira.
Cheiram
a morte.
Ressuscite-se
o Cristo
e
expulsem-se os vendilhões
do
templo.
Ressuscite-se
Maomé
e
unam-se os povos
desunidos.
Ressuscite-se
Moisés
e
desçam novas Tábuas
da
Lei.
Ressuscite-se
o Buda
e
guie-se o homem rumo ao
nirvana.
Pois
se ressuscitassem Sócrates,
matá-lo-iam
com cicuta.
Se
ressuscitassem Giordano Bruno,
queimá-lo-iam
na fogueira.
Se
ressuscitassem Einstein,
forçá-lo-iam
ao exílio.
Vivemos
numa
democracia
que
nada mais é
do
que uma
crica
mal
lavada.
Uma
farsa.
Um
nojo.
Uma
ofensa.
Indecente!
E
salvam-se os que
do
nojo cospem
dignidade
na crica
suja
e doente.
E
salvam-se os que
do
nojo cospem
decência
nos que
fodem
a crica
suja
e doente.
E
salvam-se os que
do
nojo cospem
verdade
nos que
nascem
da crica
suja
e doente.
A
democracia em que vivemos
é
nada mais que uma crica
suja
e doente e mal lavada
que
geme, agonizante, por salvação
e
esperança.
Lisboa, 17 de Agosto de 2012 – 17h31m