quinta-feira, 11 de abril de 2013

Sobre "A Liberdade é um lugar inquieto"

Inquietante. Perturbadora. Claustrofóbica.
Intensa. Incisiva. Insurrecta.
A peça "A Liberdade é um lugar inquieto", em cena no Teatro Rápido neste mês dos cravos que é Abril, é tudo isto que acima citei. Texto de Lourenço Henriques, encenação de Marco Paiva, interpretação de Rodrigo Saraiva e Igor Regalla. Artistas notáveis de cujo encontro nasceu uma peça que tem vida própria.
Tive oportunidade de a ver na Sexta-Feira, dia 5, e só hoje consegui escrever e pensar sobre ela. Deixei que maturasse em mim, que pudesse germinar e florescer. Perturbou-me. É perturbador quando somos confrontados com os limites da realidade, com os limites que nos fazem crer que a realidade nos impõe. Precisei de tempo. Tempo para digerir tudo o que senti na sala de paredes negras e chão de gravilha branca. Senti medo. Senti as paredes firmes e intransponíveis. Senti-me um dos homens que caminhava em torno da sala. A impossibilidade da fuga imposta. O horror de viver numa prisão.
O verdadeiro Teatro impele-nos à reflexão, é um espelho que nos reflecte a nós, plateia. Por isso querem trucidá-lo há tanto tempo. A inconveniência da Arte reside no facto de fomentar o pensamento no indivíduo. É por isso que me sinto mais forte quando tropeço, por acaso (?), com artes e artistas que ainda dão de si em prol de uma sociedade que pense mais e melhor. Que questione o céu que se ergue sobre nós e revele horizontes nunca vistos. Precisamos, todos, de enxergar os horizontes nunca vistos.
Estou profundamente grato a todos os artistas que dão corpo e voz à peça "A Liberdade é um lugar inquieto". Um trabalho meritório! Teatro é Arte e Arte é Vida. E a peça "A Liberdade é um lugar inquieto" é Teatro. É Arte. É Vida.

Lisboa, 11 de Abril de 2013, 18h39m


1 comentário:

  1. Obrigado por este texto, Samuel. Nós, o tal grupo de artistas que deu vida a um espectáculo, estamos muito felizes com o que escreveste. É gratificante. Quando me voltarem a perguntar porque faço teatro, já que não será por dar muito dinheiro, responderei que é por isto. Por este tipo de reacção ao trabalho que idealizo. Obrigado.

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