sábado, 28 de setembro de 2013

O meu país

não é uma bandeira
um pano
que faz o meu país

não é a terra
a telúrica fronteira
que faz o meu país

não é a gente sem voz
o orgulho desfeito
que faz o meu país

a minha pátria é mais
do que vêem os olhos
de quem só sabe
com os olhos
ver
de quem só sabe
com as mãos
sentir

quando o pano rasgar
quando a fronteira ruir
quando a gente morrer
continuarei a ter país
continuarei a ter país

e se ousarem
dizer-me
Não tens país!
cuspirei sobre
o atrevimento a mentira a dor
olhando de frente
a manhã a coragem e a luz
olhando, no alto
horizonte, para
o meu país
para o meu país

Alcanhões, 28 de Setembro de 2013 - 13h24m

1 comentário:

  1. Não renegues, não renego. É este o nosso pedaço, Que assim seja na terra como lá no alto. Obrigada Samuel :) Maria

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