um pano
que faz o meu país
não é a terra
a telúrica fronteira
que faz o meu país
não é a gente sem voz
o orgulho desfeito
que faz o meu país
a minha pátria é mais
do que vêem os olhos
de quem só sabe
com os olhos
ver
de quem só sabe
com as mãos
sentir
quando o pano rasgar
quando a fronteira ruir
quando a gente morrer
continuarei a ter país
continuarei a ter país
e se ousarem
dizer-me
Não tens país!
cuspirei sobre
o atrevimento a mentira a dor
olhando de frente
a manhã a coragem e a luz
olhando, no alto
horizonte, para
o meu país
para o meu país
Alcanhões, 28 de Setembro de 2013 - 13h24m