sábado, 8 de março de 2014

A unidade

Existe um propósito para a nossa existência. A unidade. Surgimos do vazio e tornámo-nos um. Fragmentámo-nos e reconhecemo-nos através da dualidade. Bom e mau, positivo e negativo, feminino e masculino. A numerologia ensinou-nos bem. Concebidos do zero para o um, do um para o dois e por aí em diante. Deus é a existência a experimentar, a recriar-se uma e outra vez. O vazio preencheu-se com o um e daí surgiram todas as formas que existem. A unidade tem vindo a fragmentar-se repetida e ininterruptamente para experimentar a totalidade da sua essência múltipla. E aí volta ao início, à essência una de onde partiu, para se repartir novamente e recriar, recriar, recriar.
Deste plano matemático divino, fazem parte as células e os planetas, as árvores e as estrelas. As galáxias. Os universos. Tudo o que existe. Até a humanidade integra este propósito divino. E é possível senti-lo, vislumbrá-lo com a mesma clareza que se enxerga a ave que voa alta e livre. Para isso, basta amar. Amar, simplesmente. Quando somos inundados por um amor universal, um amor que trespassa toda a matéria e a enche de luz e pureza, tocamos esse plano divino, essa unidade que liga tudo e todos. É um amor crístico, santificado porque universal. Humanitário. Da última vez que o senti, caminhava acompanhado pela minha bicicleta, subíamos um monte da minha vila ribatejana. O sol reavivava a erva verde e as flores que anunciavam a Primavera. Foi então que o senti, o vento, a afagar-me a cara. O vento e aquele som que se impôs onde só existia terra e céu. O som da erva a baloiçar-se com o vento. Inclinava-se, estendia-se, dobrava-se, erguia-se. E era só eu e aquele som. Unificados. Perfeitos.
Voltei a sentir aquela plenitude dentro do peito, aquele amor que sabe que a vida é simples e que o mundo é nada mais do que uma erva fresca a namorar com o vento.


Alcanhões, 7 de Março de 2014 – 23h49m

1 comentário:

  1. Inspirar tudo o que nos rodeia e conservar esse sentir sem que ele fuja na expiração, é um passo fundamental para a plenitude, a tal unidade...
    Venho aqui porque gosto de conservar o que "inspirei" e retive..
    :)

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