Existe
um propósito para a nossa existência. A unidade. Surgimos do vazio e
tornámo-nos um. Fragmentámo-nos e reconhecemo-nos através da dualidade. Bom e
mau, positivo e negativo, feminino e masculino. A numerologia ensinou-nos bem.
Concebidos do zero para o um, do um para o dois e por aí em diante. Deus é a
existência a experimentar, a recriar-se uma e outra vez. O vazio preencheu-se
com o um e daí surgiram todas as formas que existem. A unidade tem vindo a
fragmentar-se repetida e ininterruptamente para experimentar a totalidade da
sua essência múltipla. E aí volta ao início, à essência una de onde partiu,
para se repartir novamente e recriar, recriar, recriar.
Deste
plano matemático divino, fazem parte as células e os planetas, as árvores e as
estrelas. As galáxias. Os universos. Tudo o que existe. Até a humanidade
integra este propósito divino. E é possível senti-lo, vislumbrá-lo com a mesma
clareza que se enxerga a ave que voa alta e livre. Para isso, basta amar. Amar,
simplesmente. Quando somos inundados por um amor universal, um amor que
trespassa toda a matéria e a enche de luz e pureza, tocamos esse plano divino,
essa unidade que liga tudo e todos. É um amor crístico, santificado porque
universal. Humanitário. Da última vez que o senti, caminhava acompanhado pela
minha bicicleta, subíamos um monte da minha vila ribatejana. O sol reavivava a
erva verde e as flores que anunciavam a Primavera. Foi então que o senti, o
vento, a afagar-me a cara. O vento e aquele som que se impôs onde só existia
terra e céu. O som da erva a baloiçar-se com o vento. Inclinava-se,
estendia-se, dobrava-se, erguia-se. E era só eu e aquele som. Unificados.
Perfeitos.
Voltei
a sentir aquela plenitude dentro do peito, aquele amor que sabe que a vida é
simples e que o mundo é nada mais do que uma erva fresca a namorar com o vento.
Alcanhões, 7 de Março de 2014 – 23h49m
Inspirar tudo o que nos rodeia e conservar esse sentir sem que ele fuja na expiração, é um passo fundamental para a plenitude, a tal unidade...
ResponderEliminarVenho aqui porque gosto de conservar o que "inspirei" e retive..
:)