Sempre
vivi orientado para a luz. Sempre me fascinei pela multiplicidade da cor e da
forma. Reter o mundo através do olhar. Talvez por isso tenha nascido com olhos
grandes, os deuses deram-me janelas largas para que eu me iluminasse bem por
dentro. Todas as casas devem ter janelas amplas para que o sol possa entrar, casas
com janelas pequenas são propícias ao crescimento de fungos, à instalação de
sombras. Sempre tive janelas grandes para espreitar. A imagem sempre me
deslumbrou, a beleza do simples. Talvez porque tenha crescido entre o verde das
ervas e o dourado da palha que se impõe nas tardes quentes de Verão. Lembrar as
brincadeiras junto às oliveiras e os passeios com a minha avó, com as
flores… Manchas de cor sobre os campos coroadas pelo azul intenso do céu. Sempre
quis estar onde a luz está. No belo, no bom e no puro. Detém-me a claridade das
manhãs frescas, o brilho da água, o sol da tarde que amacia as árvores. E até o
fascínio pelo mistério, pela dúvida que a sombra determina, é o fascínio pelo
que está para lá do escuro, pelo que permanece por desvendar, que é nada mais
do que esclarecimento e verdade. Luz. Quero fazer parte dessa luz, sê-la,
inteirar-me dela. É essa a minha meta, é para isso que vivo e escrevo. E sempre
que me fascino perante o mundo, sei que me aproximo mais um pouco. Dessa luz.
Dessa perfeição.
Alcanhões, 5 de Março de 2014 – 22h39m
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