A verdadeira humanidade do Homem é divina. Milénio após
milénio têm-nos incutido a viver em função da cisão entre o que é humano e
sagrado. O humano é sagrado, a divisão não existe. Somos parte dessa perfeição
universal que nos originou. E a crença de que um determinado humano é superior
a outro cria um fosso entre a criação. A crença de que um determinado ser é
superior a outro ser é ilusão e distancia-nos da verdade. Nenhuma arte, nenhum
país, nenhuma lei, nenhuma crença, nenhum homem, nenhuma mulher, nenhum ser,
ninguém é superior a ninguém. Cada coisa que existe no mundo obedece à
perfeição que alinha cada coisa que existe no mundo. Tudo é. Somos linhas que
definem as rugas de um mesmo rosto antigo e sagrado. Um rosto sem nome, fala ou
expressão, mas que contém todos os nomes, todas as falas e todas as expressões
que possam existir. Somos fragmentos, peças fundamentais da existência. Somos
insubstituíveis e necessários. Todos nós. Somos Um. É essa a condição divina de
toda a humanidade. Da vida. Do Um.
Alcanhões, 14 de Dezembro de 2014 - 18h08m