sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

[que futuro nos espera]

que futuro nos espera
neste mar sem
sal e brisa

que futuro nos espera
onde o medo é
pai e lei

que futuro nos espera
entre os chacais e
a podridão

somos filhos do chão e da luz
e até o mato se abre ante os passos que damos
jamais nos curvaremos
jamais nos curvaremos
jamais nos curvaremos

que futuro nos espera

o futuro nos espera
a promessa
e para lá caminhamos
para lá caminhamos

engelhados nos vigiam
os abutres que nos matam

Lisboa, 29 de Maio de 2014 – 12h33m

poema do meu próximo livro de poesia, "Ágora"

2 comentários:

  1. "engelhados nos vigiam/os abutres que nos matam" Estes 2 últimos versos fecham o poema com chave de ouro e todo o poema aí se condensa.
    Que futuro nos espera? A Europa radicaliza-se a cada dia. Recentemente num programa da BBC, um sobrevivente do Holocausto dizia: "Tudo está a repetir-se". Os místicos falam que a Era de Aquario está a chegar... É de fraternidade, paz e Amor que precisamos, é esse o futuro que queremos.
    Obrigado pelo poema.

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  2. O futuro é hoje e agora, Samuel. E que maravilha teres escrito "jamais nos curvaremos" Precisamos de muita gente a pensar assim.
    Um beijo.

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