Dão-nos
de comer la merde d’artiste
como
se la merde fosse o chocolate suíço
com
que se lambuzam os príncipes.
Ainda
nos mentem quando afirmam
que
la merde não é merda
que
até tem perfume distinto
patchouli,
lavanda, almíscar
e
se parece com o sorriso de uma ninfa.
Empanturram-nos
com la merde d’artiste
até
que la merde nos entupa os olhos
e
as formas das coisas sejam irreconhecíveis.
La
merde d’artiste é a criação estupenda
fechada
numa redoma de vidro
no
melhor museu do mundo
esperando
o nosso olhar adulador.
La
merde d’artiste é a única peça exposta.
Ouve-se
o mármore das paredes
ficou
o espaço vazio das vitrines
e
apagaram-se as luzes para não ferir a vista de alguém mais sensível.
Muita
merda tem sido feita
para
que la merde d’artiste
seja
a expressão máxima de uma nação.
Alcanhões, 23 de Fevereiro de 2015 – 00h45m