Cortaram-me
as mãos
para
que não escrevesse.
Meus
pés aprenderam o ofício.
Serraram-me
os pés
para
que não escrevesse.
Aprendi
com a boca a inscrever a letra.
Coseram-me
a boca
para
que não escrevesse.
Com
a garganta entoei o som.
Romperam-me
a garganta.
Não
mais voltei a dizer.
Outro
poeta disse-o por mim.
Alcanhões, 19 de Março de 2015 – 11h02m