terça-feira, 26 de janeiro de 2016

[Diário de Bordo, Texto 19] A ovelha

Embora tenha crescido no campo, confesso que sempre tive algum receio do gado. Ouvia as histórias dos galos que bicavam os donos e das marradas das ovelhas e das vacas. Confesso que nunca me aventurei muito ao aproximar-me dos animais, temendo que me atacassem, e sempre que me aproximei havia uma cerca a separar-nos. E logo eu, que gosto tanto dos animais domésticos, especialmente das ovelhas. Talvez por estar habituado aos rebanhos que pastam ao lado da minha casa, trazidos pelo pastor. E pode parecer incrível, mas a primeira vez que consegui tocar numa ovelha foi há dois anos. Ela de um lado da cerca, eu do outro.

Hoje, na eira dos meus tios, a minha tia virou-se para mim e disse que ia ter com as ovelhas. Eu perguntei-lhe se eram mansas e ela disse-me que sim. Perguntei se davam marradas e ela disse-me que não. Acho que os meus olhos brilharam quando lhe perguntei se também podia ir.

Pela primeira vez, estive junto a três ovelhas e um borrego. Não havia cercas a estabelecer qualquer fronteira entre nós. E não era preciso, as ovelhas pastavam serenamente pelo campo. Dei-lhes uma festa e corri atrás do borrego, que, como todas as crias, é mais inquieto. Gostei particularmente de uma ovelha e voltei para junto dela. Fiz-lhe festas na cabeça, percebi que ela gostou, e tirei-lhe fotografias. Quando me fui embora, berrou para mim e continuou a pastar. Apeteceu-me dar-lhe um nome. Dar nomes às coisas é uma forma de as tornar mais próximas de nós.


Pinheiro (Carregal do Sal), 26 de Janeiro de 2016 – 19h14m

Sem comentários:

Enviar um comentário