domingo, 20 de março de 2016

Matrix

Como nos libertarmos da matrix?

Conhecendo-a, sabendo como funciona e aprendendo a dançar com ela. É como ser um pássaro a voar contra o vento. Há que conhecer muito bem o vento para continuar a voar em frente. Daí o estado meditativo ser tão importante, porque é um estado de contemplação, de atenção plena. Se estou atento ao agora, decido melhor, porque tenho uma maior consciência. É assim que se reúnem as condições para criar uma realidade alternativa. Uma realidade que supere a matrix, a ilusão. Uma realidade que sempre existiu, que é marginal e que persiste desde o princípio da humanidade. Pois os povos sempre tiveram mecanismos de perdurar ante o controlo que tentaram exercer sobre eles. Falo da História que não nos é contada. Falo da narrativa que está além da História dos Estados, que se desenvolveu na clandestinidade, no segredo. Falo de tudo o que foi feito para manter a liberdade que determina a condição humana, um eco da sua voz, um resquício que fosse. Falo de todas as pessoas que, desde o princípio, perceberam que o colectivo que nos incutem não é o colectivo que somos. Somos muito mais do que as miragens que nos mantêm iludidos na matrix. Somos a voz da ruptura, o elo para construir o novo, a liberdade. Somos a matriz que edificarmos, afinal.

Alcanhões, 20 de Março de 2016 - 12h46m


1 comentário:

  1. Falas e dizes muito bem, Samuel. As ilusões são criadas para não olharmos a verdadeira realidade.
    "Há que conhecer muito bem o vento para continuar a voar em frente".
    Gostei tanto...
    Um beijo.

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