sexta-feira, 29 de julho de 2016

Damasco

foram as águas
foi pelas águas que nasceste
para da lama o primeiro homem moldar o primeiro tecto

foram os rios
as vozes líquidas que ecoam
para dar à saliva e à língua os primeiros sons e a fala

foram os peixes
foram os barcos
foram as gentes

foram os limos
foi o lodo
foi o pó que tudo secou

foi o pó, foi o pó

foram as águas
foi pelas águas que se choraram os mortos
restando o sal sobre a terra para deter a podridão


Alcanhões, 29 de Julho de 2016 – 18h56m

Samuel F. Pimenta

1 comentário:

  1. Foram as palavras do teu poema que me sensibilizaram...
    Um beijo, Samuel.

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