a
roupa dos dervixes também é branca como a desta cidade
e
eles rodopiam para se unirem a Deus
Istambul
também gira
é
dervixe entre dois mares e duas terras
que
afinal são apenas água e solo de um único mundo
os
muezins cantam Allahu Akbar do alto das mesquitas
e
lembram que todos os muçulmanos estão unidos num grande círculo
]em
redor de Meca
pelas
ruas há quem pare para ouvir
Allahu
Akbar, Allahu Akbar
não
somos assim tão diferentes
quando
formamos um círculo maior que qualquer margem que nos queiram impor
somos
gente, é essa a roda sagrada que nos une nesta dança
Deus
é grande, Deus é grande
cantam
as ruas de Istambul para a Terra
e
o canto distancia-se daquele grito a anunciar horror e ruína
por
conter a grandeza do amor nas vozes
ainda
assim há quem mate nesta cidade das Mil e Uma Noites
quem
queira manchar as roupas brancas deste dervixe antigo
cujos
braços ainda se abrem para quem busca diluir-se nesta espiral sem tempo
neva
em Istambul
dizem
que a neve vem para limpar os lugares
como
se a Natureza soubesse quando há sangue derramado
também
a neve rodopia numa dança
trazendo
a memória dos dervixes ancestrais para as ruas
talvez
a neve saiba que está mais próxima de Deus
e
continue girando à nossa frente
à
espera que também giremos como os astros
Istambul, Dezembro de 2016
Samuel F. Pimenta
Tudo de bom para ti, Samuel. Aqui ou em Istambul fazes sempre poemas magníficos.
ResponderEliminarUm ano de 2017 muito abençoado.
Um beijo, meu Amigo.