A
aldeia de Pinheiro tem vindo a perder muitos dos serviços que tinha. Embora
sendo uma povoação muito pequena, em tempos classificada como “lugar”, havia
fornos comunitários, cafés e tabernas, uma mercearia, lagares, sapateiros,
costureiras, moleiros, agricultores, pastores a alambiques para fazer
aguardente. Hoje há muito pouco do que referi.
Tive
oportunidade de visitar o único alambique activo na aldeia, o Alambique “O
Rato”. Existe desde 1948. É um dos mais frequentados dos três alambiques do
concelho de Carregal do Sal e dos poucos serviços ainda disponíveis a
movimentar a aldeia, vêm pessoas de todo o distrito para produzir aguardente. A
partir de Setembro, após as vindimas, disse-me o alambiqueiro que por vezes não
tem mãos a medir, dado o volume de produção. Produzem mais de mil litros
anualmente.
Por
estar diante de um alambique tão antigo, e curioso para compreender o processo
de produção, perguntei como funcionava. Existe uma fornalha a lenha, que demora
cerca de quarenta e cinco minutos a aquecer. Depois da fornalha quente,
coloca-se o bagaço na caldeira e espera-se que evapore, que refrigere e que
liquidifique, até sair a aguardente feita, pelo condensador. É um processo que
demora cerca de duas horas a estar concluído.
Com
copos de vinho e jeropiga à mistura, éramos seis homens à conversa. Não foi
preciso muito para me começarem a contar histórias da juventude. Ouvi como os
rapazes, quando estavam na tropa, conseguiam alguns benefícios por parte dos
oficiais por causa da bebida produzida na aldeia, ali mesmo, naquele alambique.
Dizem eles que até vinham de fim-de-semana mais cedo, sob o compromisso junto
dos oficiais de trazer a bendita garrafa de aguardente. Garrafas de cinco
litros, que desapareciam em apenas uma semana, sob o maior sigilo.
Hoje,
que o serviço militar já não é obrigatório, o alambique já não produz
aguardente sob o pretexto de aliviar a vida dos jovens recrutas originários da
aldeia, mas continua a ser um dos principais focos de captação de investimento
na povoação. Que continue a produzir por muitos e longos anos.
Pinheiro (Carregal do Sal), 20 de Janeiro de 2016 –
18h28m