Estive
na eira dos meus tios, onde eles vivem e cultivam a terra. É de lá que colhem
as favas, as batatas, as cerejas, as uvas, os nabos, as couves, os pêssegos, as
alfaces, os marmelos e até kiwis. Têm cameleiras das mais variadas cores,
vermelhas, brancas e rosa, dois cães e três gatos. Encontrei os meus tios na
horta, é frequente encontrá-los por lá a trabalhar. Aliás, aqui é frequente ver
as pessoas a trabalhar no campo. Ou estão a cultivar, ou a limpar os terrenos,
ou a apanhar lenha, ou a passear o gado.
Na
aldeia, a agricultura de subsistência é dominante. Quem se levanta cedo para trabalhar
no campo por lá fica até ao anoitecer. Há que atar as videiras com os vimes, há
que cortar as canas que cresceram junto ao ribeiro, há que plantar novas
árvores de fruto, há que apanhar erva para dar ao gado, há que mudar o vinho
das pipas. Há sempre muito para fazer e falta sempre tempo para fazer tudo.
Dois braços só podem fazer o trabalho de dois braços e ninguém espera que
outros venham fazer o que tem de ser feito. Há que cultivar a terra para que
haja comida na mesa.
A
linha do tempo, aqui, é diferente da linha do tempo do mundo globalizado. Não
há tempo para ver televisão, embora se esteja informado, nem para ser
especialista nos grandes assuntos da actualidade. Não há, sequer, essa
pretensão. É-se especialista no respectivo ofício e até aí se colocam dúvidas.
Pinheiro (Carregal do Sal), 22 de Janeiro de 2016 –
21h12m