Embora
tenha crescido no campo, confesso que sempre tive algum receio do gado. Ouvia
as histórias dos galos que bicavam os donos e das marradas das ovelhas e das
vacas. Confesso que nunca me aventurei muito ao aproximar-me dos animais,
temendo que me atacassem, e sempre que me aproximei havia uma cerca a
separar-nos. E logo eu, que gosto tanto dos animais domésticos, especialmente das
ovelhas. Talvez por estar habituado aos rebanhos que pastam ao lado da minha
casa, trazidos pelo pastor. E pode parecer incrível, mas a primeira vez que
consegui tocar numa ovelha foi há dois anos. Ela de um lado da cerca, eu do
outro.
Hoje,
na eira dos meus tios, a minha tia virou-se para mim e disse que ia ter com as
ovelhas. Eu perguntei-lhe se eram mansas e ela disse-me que sim. Perguntei se
davam marradas e ela disse-me que não. Acho que os meus olhos brilharam quando
lhe perguntei se também podia ir.
Pela
primeira vez, estive junto a três ovelhas e um borrego. Não havia cercas a
estabelecer qualquer fronteira entre nós. E não era preciso, as ovelhas pastavam
serenamente pelo campo. Dei-lhes uma festa e corri atrás do borrego, que, como
todas as crias, é mais inquieto. Gostei particularmente de uma ovelha e voltei
para junto dela. Fiz-lhe festas na cabeça, percebi que ela gostou, e tirei-lhe
fotografias. Quando me fui embora, berrou para mim e continuou a pastar. Apeteceu-me
dar-lhe um nome. Dar nomes às coisas é uma forma de as tornar mais próximas de
nós.
Pinheiro (Carregal do Sal), 26 de Janeiro de 2016 –
19h14m