Como nos libertarmos da matrix?
Conhecendo-a, sabendo como funciona e aprendendo a dançar com
ela. É como ser um pássaro a voar contra o vento. Há que conhecer muito bem o
vento para continuar a voar em frente. Daí o estado meditativo ser tão
importante, porque é um estado de contemplação, de atenção plena. Se estou
atento ao agora, decido melhor, porque tenho uma maior consciência. É assim que
se reúnem as condições para criar uma realidade alternativa. Uma realidade que
supere a matrix, a ilusão. Uma realidade que sempre existiu, que é marginal e
que persiste desde o princípio da humanidade. Pois os povos sempre tiveram
mecanismos de perdurar ante o controlo que tentaram exercer sobre eles. Falo da
História que não nos é contada. Falo da narrativa que está além da História dos
Estados, que se desenvolveu na clandestinidade, no segredo. Falo de tudo o que
foi feito para manter a liberdade que determina a condição humana, um eco da
sua voz, um resquício que fosse. Falo de todas as pessoas que, desde o
princípio, perceberam que o colectivo que nos incutem não é o colectivo que
somos. Somos muito mais do que as miragens que nos mantêm iludidos na matrix.
Somos a voz da ruptura, o elo para construir o novo, a liberdade. Somos a
matriz que edificarmos, afinal.
Alcanhões, 20 de Março de 2016 - 12h46m