Quero
a liberdade plena. Não quero a liberdade imposta por uma cultura, por uma
sociedade, por um Estado. Não quero que se encha o peito para falar de uma
liberdade que oprime, de uma liberdade que não o é. Pois quantas pessoas sobem
ao podium, hoje, para discursar sobre opressão e controlo camuflados de
liberdade?
Quero
ter autodeterminação e poder exercer o meu livre-arbítrio sem olhares e palavras
e gestos que censuram, julgam e querem dominar. Quero poder ser quem sou, tal
como quero que todas as pessoas também possam ser quem são. Quero a
multiplicidade. De identidades, de vontades, de ideias, de géneros, de
culturas, de corpos, de criações, de perguntas e respostas. Quero a liberdade
plena. Tudo o resto é uma aproximação à liberdade. Fica aquém.
Há
uma expressão que me inquieta desde que tenho consciência de mim: “tem de haver
mais para além disto, tem de haver mais”. É ela que me tem feito evoluir,
expandir o conhecimento sobre o universo que sou. É a minha utopia. E será por
ela que resgatarei a liberdade a que tenho direito. Aquela que, dentro do que é
possível nesta realidade a três dimensões em que vivo, permite que eu me
cumpra. E me liberte.
Alcanhões, 25 de Abril de 2016 – 11h41m
Samuel F. Pimenta